DESEJO SEXUAL É UM APETITE OU IMPULSO
Transcrito da gravação

INTRODUÇÃO

Agradeço ao Dr.Rosires, ginecologista em São Paulo e aos demais membros da Comissão Organizadora deste Congresso sobre Sexualidade Humana , o convite de participar da mesa redonda com a presença do Dr. Cavalcanti, presidente da Sociedade Internacional de estudos sobre Sexualidade Humana e ao Dr, Montegomeri, ginecologista de São Paulo, realizado no auditório desta Universidade.

Inicialmente esclareço que o tema está inspirado em Kaplan, psicanalista e sexóloga nos Estados Unidos e conceituada internacionalmente.

Em princípio recusei o convite por julgar, na minha ótica, um tema rico e muito abrangente, exigindo conhecimentos profundos e também, percebidos por mim um pouco diferente de alguns colegas.

Aparentemente, poderia ser simples, bastaria admitir Apetite sinônimo de Desejo Sexual e em segundo apresentar às extensas Disfunções Sexuais. Mas, para mim, há uma pequena diferença, microscópica, pois, me lembrei que fome é uma necessidade e apetite um desejo especifico de algo.

Parece mais adequado, fazer uma análise mais ampla, com base na literatura psicanalítica e em outros conhecimentos, a fim de que o tema tenha sustentação objetiva e fundamentada.

Não foi fácil, pois tive que me apoiar em Freud, Lacan, Money, Winnicott, Castanheda,etc.
Em se tratando de um auditório selecionado com a presença de profissionais pós-graduados e médicos, acho justo oferecer-lhes dados compatíveis com seus conhecimentos e também esclarecer as nuances do tema.

O ritual é LIBIDO, DESEJO e DESEJO SEXUAL - finalmente as disfunções ordenadas e explicativas para facilidade da compreensão.

DESENVOLVIMENTO


LIBIDO

Para falar de desejo uma noção se impõe em primeiro plano: "LIBIDO"

Freud em 1905 definiu libido como uma energia que procura a "satisfação sexual".
A libido permite falar do desejo em termos que comportam uma objetivação relativa. É por assim dizer uma unidade de medida quantitativa.

Quantidade que não se sabe medir, que não se sabe o que é, mas sempre se supõe que está aí.

Esta noção de quantidade nos permite unificar as variações dos efeitos qualitativos e dar coerência à sua sucessão.

Efeito qualitativo, vamos clarificar:
Há estados também, mudanças de estados:

Para explicar como se sucedem e se transformam, recorremos à noção de limiar e a de nível de uma Constância.

Se a libido não puder descarregar-se, encontrar sua expansão normal, ocorrerão 'ultrapassamentos' que levarão aos outros estados como regressão, fixação, sublimação, etc.

Ela também tem a função de unificar as diferentes fases da sexualidade.

Freud diz: "quando falo de libido é libido sexual". A libido sexual é o motor do progresso humano, do conflituoso, do fecundo criado na vida humana, é a luxuria.

A libido primitiva é relativa e prematura e objetiva a própria imagem do sujeito.

A libido segunda é de outra natureza, a que objetiva, se relaciona ao órgão genital, corresponde à primeira maturidade do desejo e do desenvolvimento vital.

DESEJO

Vamos agora adentrar no mundo do desejo.

A experiência Freudiana começa assim, a se estabelecer no mundo do desejo e não no mundo das coisas como tal.

O desejo é uma relação de ser com falta, através do que o ser existe e se apresenta como um reflexo e que anima o conflito fundamental que se acha no âmago da ação humana.

O ser põe a existir em função desta falta que na experiência do desejo chega a um sentimento de si.

O desejo, função central em toda experiência humana, é o desejo de nada e é nessa busca do além que chega a consciência de si. Sou aquele que sabe que sou, mas não sabe nada daquele que é, eis o que falta em qualquer ser.

Surge então uma confusão entre o poder de eleição de uma aflição fundamental através do que o ser se eleva como presença e sobre fundo de ausência, é aquilo que achamos o poder da consciência.

Todavia a relação entre os seres humanos se estabelece para aquém do campo da consciência, é o desejo que efetua a estrutura primitiva do mundo humano, o desejo como inconsciente.

O ponto decisivo da experiência Freudiana é que a consciência não é universal, mas considera a existência do homem na estrutura que lhe é própria" a estrutura do desejo".

Mudança de nível na relação humana é sem duvida o ponto pivô que se chama maturação em torno do qual gera o Drama Edipiano (regressão da posição libidinal) em relação a certo limite, transforma o amor em ódio, isto oscila por muito tempo.

A libido primeira, a pré-genital é o ponto sensível, ponto de encontro entre Éros e Thânatos, amor e ódio, vida e morte, libido e destrudo.

Dá a impressão de que Éros e Thânatos são apenas um só no inconsciente, mas, o que é grave e perigoso nas relações inter humanas é quando os componentes se separam.

As vezes a criança abraça a gente arranhando.

No amor, nas relações humanas, há uma parte agressiva ,sem a qual haveria quase só impotência, mas que pode até matar o parceiro, é uma parte da libido que iria dar numa impotência afetiva ,se não houvesse a parte agressiva.

Se funciona junto, oferece amor humano.
Amor é a relação limite, que se estabelece de todo organismo, ao objeto que satisfaz seu ponto de mira, que é satisfação e o "ser".

A libido pode se dessexualizar forte este termo, mas a sublimação é um caso, é um desvio de alvo a objetos aceitáveis socialmente, é o individual no coletivo.

No consultório pacientes com redução do desejo, convém observar a posição em que está a libido se na pré-genital ou genital, ou utilizando do pensamento mágico, que foi útil na infância, jamais no adulto.

O desejo encontra em alguma parte seu limite. Encontra seu cerne, sua proporção fixada, seu limite no qual ele se sustenta como tal, franqueando o limiar imposto pelo princípio do prazer.

O objeto do desejo é a causa do desejo, e esse objeto causa o desejo é o objeto da pulsão em torno do qual gira.

Não é que o desejo faz seu contorno na medida em que dele se trata da pulsão.
A fantasia é sustentação do desejo, não é o objeto.

Agora aos pouquinhos vou trilhando para o apetite.

Nossa existência se pronuncia por perdas, desde a operação da maturação das células sexuais, duplo processo de redução do meio nirvânico, da placenta, do seio etc.
Perdas, cujos objetos jamais encontraremos, mas o desejo de recuperá-los esta no nosso âmago, não é como tal, mas a satisfação que nos proporcionam.

Aí está o que Freud disse, o importante para a pulsão não e o objeto, porem a satisfação.

Estou insistindo com a repetição neurótica que desejo é satisfação, que o objeto nos proporciona, mas nem toda repetição e mecanismo há outro que é progresso, avanço, construção.

Agora, acho que chegou o ponto ideal, um segredo do entendimento daquilo que persigo sobre a compreensão media do tema.

Lacan, .....comentando, mastigando, debulhando com sua forma clássica e realista, nos faz ver que através do principio do prazer e da realidade existem três níveis.

"Do Sujeito - Processo de Experiência - De Objetivação. No processo de experiência está os do pensamento, pelos quais se realiza a atividade tendencial que deve estar ligado a carga afetiva da primeira experiência onde se institui o processo apetitivo, processo de busca, de reconhecimento, de reencontro do objeto e satisfação. Essa e a outra face da realidade psíquica, seu processo como inconsciente, que é também o processo apetitivo."

Agora sim, estabelecemos que o desejo sexual é satisfação, busca da satisfação. O desejo sexual encontra sua satisfação na substância do objeto. O apetite é um desejo particular do indivíduo porque busca, persiste no encontro da primeira experiência e objeto. Money diz as vivências registradas são repetidas.

CONCLUSÃO:

Após a exposição sobre a libido e desejo, remetendo a conhecimentos fundamentais sobre o tema, até alcançar o que nos destacam, dá-me a entender que há realmente semelhanças e diferenças no desejo sexual se é um apetite ou impulso.

Como já disse o apetite é a busca da primeira experiência que se realizou. É o encontro que foi registrado, é a vivencia registrada conforme J. Money.

O desejo sexual é mais generalizado, pois, conforme o estágio da libido, busca a satisfação no objeto.

O "amor" é o encontro com o ser como um todo, é demonstrar, é ação e não só palavras. Quem pergunta "você me ama", é porque não sente o "amor".

Ciúme não é amor - é desconfiança, é preservar a honra , é garantir a posse falsa, é imposição, é prepotência.

Na exposição, constato que a nós psicólogos temos muito que nos aprofundar através de investigação, pesquisa, estudos a fim de alcançar a nomeação do conflito fundamental e que a palavra consciência não fique superficial.

Assim como Melanie Klein, Jaques Lacan foram além de Freud, porém fundamentado neles, nós podemos também ir com eles e além deles.

Bibliografia

Lacan J. - O Seminário – Jorge Zahar Editora Rio

VOLTAR AO INÍCIO DO TEXTO
 
PUBLICAÇÕES

ABORDAGEM KAPLAN

No seu modelo bifásico da sexualidade humana - desejo - excitação, orgasmo, privilegia com inteligência a percepção do desejo em 1ºlugar.

Define o desejo sexual como sendo um apetite ou impulso produzido pela ativação do cérebro de um sistema neural específico que busca sensações e torna-se receptivo as experiências sexuais.

É um conceito muito amplo porque é analítico, comportamental, genital e psíquico.

Após os esclarecimentos sobre os pilares que sustentam a abordagem e definição do modelo do desejo, do apetite e impulso passo finalmente às disfunções que são danos reais ocorridos.

DISFUNÇÕES

Antes de apresentarmos as disfunções convém esclarecer o que se segue:

Impulso é identificado a uma pura e simples tendência a descarga, tendência originaria da raiz.
Acontece que o impulso faz parte da pulsão, que não visa objeto porém alvo.

A pulsão tem quatro elementos:

-DRANG - o impulso, o arranque

-QUELLE - na origem é a borda, isto é, a superfície a zona dita erógena na pulsão que leva a satisfação, fonte

-OBJERTE - objeto

-SIEL - alvo

O atirador fica satisfeito não com o abater da ave, mas ter acertado o tiro.

Na sublimação, o alvo que deveria ser o sexual, vai para a outra satisfação.

Conclusão parcial


-Desejo sexual e satisfação sexual

-Apetite e a busca da satisfação e desejo da primeira experiência

- Impulso e a tendência, repetição, insistência para o alvo da satisfação.

DISFUNÇÕES


Desenvolvimento Esquemático

- Primeiro Grupo:
IDS - Inibição do desejo sexual
Escasso desejo sexual EDS
Nível baixo de desejo sexual NBDS

- Segundo grupo:
DSH - desordem do desejo sexual (desejo sexual hipoativo)
Desejo sexual hipoativo primário DSPH
Desejo sexual hipoativo secundário DSHS

- Terceiro grupo:
Inibição do desejo sexual situacional IDSS
Desejo sexual hipoativo situacional DSHS

- Quarto grupo:
Evitação fólica EF

-
Quinto grupo:
Desvios DS

- Sexto grupo:
Inibição do apetite IAS

- Sétimo grupo:
Perda global do impulso PGIp
Perda global da Libido PGl

DESENVOLVIMENTO EXPLICATIVO


Primeiro grupo:
IDS: é uma disfunção que é usada quando é caracterizada a libido anormalmente baixa

DPP: desejo patologicamente prejudicado sugerindo alterações significativas na libido (ausência de evolução e desinibição libidual)

EDS: não sente a excitação, não experimenta o impulso, não interessa atividade erótica, estimulação dos órgãos genitais esta ausente ou reduzido.

NBD: nível baixo de desejo, não se entrega a atividade sexual, evitação, quando se entrega a atividade sexua e objetiva ferir os sentimentos do parceiro, atividade sexual com pouco desejo, reflexos genitais não funcionam e surgira ansiedade, atividade sexual sem desejo poderá conduzir ao aconchego e sentimentos de carinho.


Segundo Grupo:
DSH: desejo sexual hipoativo, quando a libido baixa e não esta determinada

DSHP: desejo sexual hipoativo primário e característica do impulso sexual constitucional baixo e de certos estados doentios assim como psicopatologia de esquizofrenia, depressão crônica etc.

DHHS: desejo sexual hipoativo secundário, perda do impulso é após histórico de sexualidade normal, isto é, a perda da libido secundária, genital, que é conseqüência de fatores físicos, crises psicopatológicas como casamento, nascimento de filho, perda de objeto, decepção e estresse.

Terceiro grupo:
IDSS: mulheres que se sentem excitada durante vários anos de experiência antes do coito, perde o interesse sexual apos o coito.

DSHS: quadro da inibição psicogênica do desejo sexual. Pessoas que sentem desejo em situações muito seguras.

Quarto grupo:
EE: evitação física, quando pode ocorrer que sinta ou não desejo

EEO: evitação fóbica do objeto

EES
: evitação fóbica da satisfação

Quinto grupo:
Desvios: foco do interesse mantém sobre objeto desviante ou atividade perversa que evoca o desejo
Há dois componentes na sexualidade:
- inibição ou ausência de desejo heterossexual
- desejo de um objeto em situações que não interessa a maioria das pessoas.
Compreende: Voyeur - exibicionismo - sadomasoquismo - atração por animal

Sexto Grupo:
IAS: inibição do apetite sexual de intensidade com o passar dos anos em algumas pessoas
Está ligado a esquecer ou realçar grande parte da primeira, fantasia, experiências sexuais. Está ligado a não recordação de sensações eróticas, brincadeiras ou fantasia da infância

Sétimo grupo:
PGJ: perda total do impulso ,cessa de desejar, tem ereções matinais

PGL: perda da libido associada a estados depressivos, estresse severo e causas físicas

INFLUÊNCIAS NO DESEJO SEXUAL

Componente fisiológico com sua organização sexual
Componente hormonal- testosterona
Componente vivencial- prazeroso ou desprazeroso
Estímulos externos: visuais, olfativos, auditivos e táteis

CAUSA DA INIBIÇÃO

Fisiológica: depressão, estresse, drogas, hormônios, mal físico

Psicológicos:
hostilidade, defesas, ansiedade, traumas

Das relações dos parceiros:
insegurança, brigas, desânimos, competição, infidelidade

Sócio cultural:
religião, financeiro

Como medir o desejo:
pela freqüência, iniciativa, fator subjetivo (vontade).

ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS

Nós profissionais devemos esclarecer as palavras ou conceitos de maneira completa para melhor entendimento.

Exibicionismo: o que é visado pelo sujeito é o que se realiza no "outro". A visada verdadeira do desejo é o "outro" enquanto que forçado, para além da sua implicação na cena. A vitima enquanto que referida a algum "outro" que a olha.

Voyeurismo: onde está o sujeito e o objeto.
O sujeito esta lá enquanto perverso, não no nível da pulsão do ver. O objeto e o olhar que é um míssil, que na perversão atrás da cortina e o objeto da pesquisa.

Sado masoquismo: trata-se de uma violência feita a que? De uma violência que o sujeito faz com o feito de dominar, com mestria, a si mesmo. É a inscrição no corpo com mestria, a si mesmo, e a inscrição no corpo próprio do começo ao fim da pulsão. No fundo ele é sujeito e objeto.

A perversão tem uma estrutura em que o sujeito que se determina como objeto, em que define a perversão e o modo pelo qual o sujeito se recoloca.

A pulsão e a montagem pela qual a sexualidade participa da vida psíquica.

O objeto humano se constitui sempre por intermédio e de uma primeira perda.

O sujeito tem sempre de reconstruir o objetivo, ele procura reencontra-lhe a totalidade a partir de sei lá que perdida na origem.

O impulso da pulsão e a constância mantidos, porém variáveis individualmente.

Conclusão das disfunções:

Pelo exposto, constata-se que numa simples consulta ou um pouco mais não é possível se alcançar a queixa real do paciente porque as disfunções (danos reais) implicam e se apóiam em várias circunstâncias. O tratamento é prolongado porque a ansiedade, angústia, medos, culpas, etc. e também a sublimação, estão escondidas, não se constituindo no foco da busca. Muitas vezes o químico é uma das causas.

Referências bibliográficas:

Não há, pois é transcrição de palestra gravada.

Apostilas e gravações do curso de sexologia pelo Dr. Araguari

Breve haverá um curso sobre os temas constantes deste site. Nos dias 27, 28, 29 e 30 de abril de 2009. Somente 10 vagas.

Deixar nome e telefone através do site ou pelo telefone 32541896 ou 99379835 a partir do dia 15 de abril (das 11:00 às 14:00 horas).

VOLTAR AO INÍCIO DO TEXTO
LEIA TAMBÉM
COMO AMADURECER OS FILHOS
VOLTAR AO INÍCIO DO TEXTO
©Copyright LOMBA 2006 - Todos os direitos reservados | Site desenvolvido por MBWD