CASAMENTO CONVENCIONAL
PRIMEIRA PARTE

COMPREENSÃO EMOCIONAL - COMPARTILHAR DO AUDITÓRIO - MOTIVAÇÃO
 
1. Peço a consideração da Mesa Redonda, que permita, neste momento, estar numa faixa de consciência com características atemporal e não espacial.

2. Peço, também, ao distinto auditório que compartilhem comigo, em silêncio, pálpebras levemente fechadas e corpo relaxado, sentado confortavelmente.

3. Desliguem a consciência deste ambiente e alarguem, expandam a consciência até Himalaia. Sintam-se lá debaixo de uma cabana - está frio - imaginem a beleza que o rodeia.

4. Sintam este som, como sendo irradiado pela natureza - uma síntese - e também como se as notas banhassem, agora, seu corpo, como se fosse o pó dourado-escuro das asas das mariposas lhe trazendo um sentimento, uma sensação de eternidade - uma continuidade.

5. Agora, ao seu lado, alguém com roupa branca, cabelos brancos e barba branca - Um Amigo!

6.
Sinta a sua presença e escute e sinta as suas palavras serenas, tranqüilas, balsâmicas:

7. "Você olha uma miragem (aparência) e eu tenho o dom de ver e lhes transmitir a Realidade Real (Essência). Estamos em níveis de consciência diferentes, portanto.

8. Olhe aqueles espermatozóides, indo ao encontro de vários óvulos. Parece o encontro de partículas cósmicas.

9. Agora, sinta, sinta, sinta dentro de você este Encontro - essa Fusão - Sinta essa sensação de Fusão - sinta a raiz da Paixão - não deixe esquecer - essa sensação é sua, somente sua, pertence sempre a sua vida, mesmo esquecida ou reprimida - será eterna dentro de você."

10. Sinta, agora, progressivamente, o crescimento dessa fusão - OVO - guarde tal sensação. É um planeta dentro de você.

11. Agora, sinta-se um feto com a mesma sensação de fundido - unicidade - cósmico.

12. Agora, sinta a sensação do Vínculo Natural com o meio natural, recebendo tudo naturalmente, em sintonia, em paz, tranquilidade, completitude e harmonia - permaneça, ainda e sempre, com sensação de fusão.

13.
Sinta que você é o feto e o meio, o meio é você e também o feto - unicidade - cosmicidade - interdependência - inter-relação - você é o todo, o todo é você - sentimento cósmico - não ha separação, porém fusão, atemporal e não espacial.

14. Agora, sinta-se um bebezinho, não mais feto.

15. Sinta agora, a continuidade do seu Vínculo Natural para a Relação Corporal da fusão para união - da paixão ao amor, porém, agora, já, intermitente, temporal e espacial.

16. Sinta, ainda, o desejo de fusão, paixão permanecerem, embora não mais tão satisfeito agora, porem, o desejo de união - o amor e ausências, união - separação.

17. Agora, agora, ouça, escute e não sinta: Você, já está grandinho e não mais precisa de amamentação e chupeta, diz a cultura, a informação como lei de obediência, embora nós dois ainda sintamos que a amamentação, a nossa relação corporal deva continuar, o contato entre nós e essencial, e vital, mas... OBEDIÊNCIA.

18. Agora, sinta-se bebê-criança e que a fusão-paixão, união-amor, o vínculo natural e a relação corporal vai se esvaziando com sentimento de perda e tristeza, mas luta para continuar com a sensação do desejo complementar sinta a perda já o desejo."

19. RÁ - RÁ. O grito do palestrista, simbolizando o corte aparente na continuidade, na cosmicidade, no corte do desejo, da relação.

20. Permaneça sempre com Essência do Desejo de ser e de ter o encontro.

21. Sinta-se, agora, aqui, neste ambiente transpondo o sentir para o pensar.

22. Agora, voltamos, simbolicamente, a Mesa Redonda na Consciência Temporal e Espacial, dentro da lógica ao ler o tema concebido (constituído de nossas projeções, subjetividade e cultura) e não Percebido, isto é, a física moderna, não dual e a física clássica, dual. - A Relação Vertical substituída pela Relação Horizontal. - Unidade versus divisão separação. - A DIVISÃO.

FINAL

Finalmente a palavra CASAMENTO não é bem simbolizada na essência, porém na aparência, é Ilusão - e a miragem, a aparência. O casamento é uma necessidade entre os seres humanos, seja qual for a forma de relacionamento.
A fusão - vínculo natural - a união e relação corporal - a paixão, o amor é a raiz, a base do Encontro Real entre seres humanos que procuram se completar, no Biológico, no social, no espiritual. Freud, Adler e Yung, respectivamente, através da Percepção da Realidade Real - Mente Universal - "Réu Wilber" em "Espectro da Consciência" e não pela concepção, miragens contaminadas, pelo dual Repressão - Projeção - são imagens transformadas.
O imensurável chegou, e agora, está a verdade, aonde? No encontro da Ciência com a sabedoria antiga, um ponto comum para compreendermos que Progresso não é Evolução humana e aprofundamos o segredo, ponto comum.
O casamento deveria ser como o Bolero de Ravel, intensificando sempre, mas é exatamente ao contrário. Por que?
Casamento e como aqui, trocamos nossa admiração entre conferencistas e auditório, mas na hora dos questionamentos e do encontro nós fugimos. Não é fácil o Encontro porque ele sugere troca real e não imaginária.

Muito Obrigado.

Agora, retorno à Mesa Redonda, após essa motivação para tratar do tema Casamento Convencional

VOLTAR AO INÍCIO DO TEXTO
 

 

 
PUBLICAÇÕES
CASAMENTO CONVENCIONAL
SEGUNDA PARTE
 
Honrado pelo convite a fim de participar da IV Jornada de Sexualidade Humana, com o tema "Casamento convencional" fiquei e ainda estou, como soe acontecer nessas oportunidades tão significativas para o meu ego, preocupado em não abordar conteúdos repetitivos, cansativos e históricos, embora já um pouco conhecido para alguns.
Apesar do reduzido tempo para apresentar o tema por escrito, permaneci, horas e horas, a refletir sobre fatores e elementos, dentro do tema, que poderiam promover alguma mensagem útil e suscitar questionamentos, mas não sei se conseguirei.
Resultou daí a idéia de:
- UM ENFOQUE, NA APARÊNCIA, DIFERENTE.
INTRODUÇÃO
Li, parece que foi num dos livros de O Seminário, de Jacques LACAN: "desconfio da palavra pesquisa, pois quem pesquisa acha", e, desculpem o convencimento, estou de acordo.

Li em Psicodrama, de J. L. MORENO, criador do psicodrama, que:

as conservas culturais serviram para dois fins: prestimosas em situações ameaçadoras e asseguravam a continuidade de uma herança cultural. Quanto mais amplamente se distribuíram, quanto maior se tornou a sua influência e quanto mais se dedicou ao seu acabamento e aperfeiçoamento, mais raramente as pessoas sentiam a necessidade da inspiração momentânea.

Adiante diz: "é uma ameaça contra a sensibilidade das normas criadoras do homem".

Li em Filicídio, de Arnaldo RASCOVSKY, o que assinala LEVI-STRAUSS:
Afirmamos que tudo que é universal no homem corresponde à ordem da natureza e se caracteriza pela espontaneidade, enquanto tudo que está sujeito a uma norma pertence à cultura e apresenta os atributos do relativo e do particular.

Acrescenta, ainda, que: "a proibição do incesto constitui uma regra, porém a única que possui caráter de universalidade. Em conseqüência surgem duas instituições constantes: a exogamia e a sublimação".

Li, num livro de filosofia muito antigo, portanto de grande valor, parece que o autor era Luís Washincton VITA, algo dito por ORTEGA Y GASSET: "A realidade que chamamos companhia ou sociedade só pode existir entre duas coisas que permutam seu ser". Acrescenta, ainda, o que adverte Luís Recassens SICHES: "O encontro do homem com os demais homens, porém, não é a mesma coisa que seu encontro com as demais coisas da natureza".

Por iniciativa da Unesco, realizou-se memorável encontro que reuniu dezenove ilustres representantes mundialmente reconhecidos em áreas das ciências físicas, biológicas (entre os quais, Abdus SALAM e Jean DAUSSET, prêmios Nobel de Física 1979; e de Fisiologia-Medicina 1980, respectivamente) humanas das tradições, cujas conclusões estão contidas na "Declaração de Veneza" em A ciência, face aos confins do conhecimento - O prólogo do nosso passado cultural que, em síntese visam buscar novos paradigmas baseado no Holismo que se refere a uma realidade em função de totalidades integradas - a parte está no todo como o todo está na parte.

Estamos cientes, todavia, de nossos avanços nas áreas científicas e tecnológicas que nos trazem progresso e conforto, porém usados, por alguns, somente por alguns, em estimular a Sociedade de Consumo, supervalorizar o produto e não o produtor, a produção e não o homem. - Progresso não é Evolução.

Sem dúvidas, há tempos e séculos, vivemos uma só crise: "Crise de Percepção" se posso dizer - doença grave - porque falsifica as observações, deforma os conceitos, fundamenta as leis, as instituições em bases não coerentes com a natureza humana e a própria Natureza.

Sustentados por tais paradigmas a nossa natureza humana está debilitada na sua relação intra-inter-cósmica, tornando-nos em "homens infelizes, angustiados, depressivos, em pânico e sem esperança".

Alguém me falou, parece que foi um neurologista de renome, com PhD: "se fosse Presidente determinaria que na água que consumimos não colocassem apenas cloro, mas também anti-depressivo".

Quebradas as minhas resistências, através de tantas citações, porém necessárias ao cumprimento das regras da cultura didático-pedagógica, chego muito cansado ao tema "Casamento convencional".

Bastam as citações para se realizar o julgamento do tema, mas...

DESENVOLVIMENTO
Agora livre, sinto-me espontâneo para expressar as minhas observações, percepções, experiências, vivências, no meio - Clínica Psicológica - e no ambiente em geral, respectivamente; um particular, outro mais amplo.

É reconhecido publicamente, não me refiro às bases históricas, que o casamento convencional recai em uma escolha de alguém do sexo oposto, mobilizado e alimentado pelo amor e atração, bem como, em acordo com a cultura, a obrigatoriedade de convivência no mesmo teto, de outros deveres, a fim de constituir a relação do casal, se possível, eterna, como era antes indissolúvel.

Se houve e há "crise de percepção", a escolha, mesmo objetiva, não é real.

A admiração, uma das vigas do amor, que impulsiona o desejo de proximidade e união, vai, aos poucos, se enfraquecendo, resulta, portanto, no afastamento, distância, indiferença, monotonia e acomodação, diluindo o ideal do companheiro eterno.

O amor, tão bem abordado pelo Dr. Carlos Edson Scheidemantel na última Jornada, aqui neste mesmo local e bastante aplaudido, infelizmente, a nossa natureza, dominada pela fragmentação, ainda não alcançou a evolução para sentir e reconhecer este sentimento com a intensidade do seu potencial. Já estimula o pensamento a pensar que amamos, expressado pelas perguntas: Você me ama? O que é o amor? Será que ele ou ela me ama? Será que nós nos amamos? Quem pergunta, não sente.

O amor é um sentimento contaminado de movimento, ação, vida, alegria, admiração, criatividade, gratidão, reconhecimento e inversão.

O sexo ainda na luta para escapar da repressão, se depara no desencontro da Cultura com a natureza humana, relaxando a atração. O casamento convencional integra o ato sexual na moral social e valoriza a procriação.

O vínculo básico - homem e mulher - macho e fêmea - pela debilidade do amor, da sexualidade e atração, torna-se frágil, oferecendo espaço a outros papéis.

Reconhecemos que na sociedade atual, outros papéis foram estimulados, nunca, jamais reduzir e acabar com a supremacia do vínculo básico, mas ocorre porque a sustentação não é forte.

Eis que surge o poder mágico da união eterna - um filho. Agora, sim, a convivência no lar se altera.

O vínculo amoroso, afetivo, que alimentou o papel primeiro do casamento, se desvia para o de mãe e pai.

A supervalorização da procriação cristaliza o papel mãe-pai e, também, para não retornar à monotonia da relação, surge, consciente ou inconsciente, a resistência ao resgate do papel homem-mulher. Tal situação muitas vezes não desejada, conduz ainda mais ao desgaste da relação do casal. O ciúme é acirrado com a relação filho-mãe ou filho-pai que, nos menos sadios, chega até ao filicídio.

A convivência do casal na construção do lar se afirma com os modelos transmitidos, criando um meio não próprio do casal favorecendo à relação respostas inadequadas através da comunicação patológica.

Muitas vezes o casal estabelece normas para viver em comum e aí se define o tipo de relações. Em um matrimônio razoavelmente feliz o casal é capaz de manter relações simétricas e complementares nos diversos aspectos de sua vida. Vejam, aí, que são convênios que ao menor sinal de desentendimento, cria um clima desfavorável à relação. Cumpre-se aqui acordos implícitos, no convencional - na convenção.

A sociedade de consumo estimula a inveja, tão bem esclarecida por Melanie KLEIN, que promove a obtenção de conforto ao casal e desacordo com a situação econômica.

Na cristalização do papel mãe-pai, há introjeção do modelo nos filhos e assim cresce a neurose com a repetição dos modelos.

A simbiose, nos mais neuróticos, contamina a relação não mais do casal, de pessoas, porém transforma-os em depósitos, intensificando o vínculo fantasioso.

Surge, então, a idéia de psicoterapia que, aparentemente, é para salvar a relação. Com a experiência, sentimos, muitas vezes, que é para sustentar o casamento através de anos com a aliança de terapeuta pouco experiente, ou livrar da responsabilidade e culpa.

Já não há tanta freqüência de psicoterapia de matrimônio, porém de família.

Eis aí o que percebo, aparentemente é uma crítica destrutiva, mas no meu íntimo é mais um alerta à construção de novos paradigmas com visão menos fragmentada, atomização de conhecimento, e com tudo que possa amadurecer o ser humano nas suas relações intra-inter e cósmica.

Percebo, também, que todas as alternativas de relação se constituem na busca do encontro, do particular dentro do universal, de uma união legitimada por nossa própria natureza.

Acredito muito na visão holística ''vemos um mundo novo a nossa volta. Temos a impressão de que estamos no alvorecer de uma nova era, com todo entusiasmo, toda a esperança e também todos os riscos inerentes a um recomeço" expressado por I lia PRIGOGINE (químico, prêmio Nobel 1977).

Aproveito, neste encontro de Sexualidade Humana, para lhes dizer que tomei conhecimento de outros paradigmas referentes à Sexologia, com menos exigência, maior integração e mais humanos possivelmente, já cientes de muitos que aqui se encontram, que facilitará o entendimento nas relações mais íntimas.
CONCLUSÃO
Pelo exposto é de se concluir que vivemos numa crise de consciência, afetada por uma época dominada pela fragmentação, atomização do conhecimento, divisão e criação de fronteiras que só existem na mente humana.

Como é possível o ser humano, já debilitado na sua natureza, viver numa relação digna com seu semelhante, numa união em que dois se constitui em um, se ainda não alcançamos a injunção pura "Conhece-te a li mesmo" e nem de pertencermos como integrantes do Cosmo?

Como é possível a escolha do outro, do nosso par, se nossa percepção está em crise?

Como é possível amar, se o amor não é tão intenso para sentirmos?

Como é possível a entrega na relação sexual, se há exigências de orgasmo, lubrificação e redução ao genital?

Como é possível unir pela cultura o que já está desunido, fragmentado na sua natureza?

Como é possível união, relação sadia no casamento, se a Ciência, Arte e Sabedoria Antiga estão desunidas?

Como é possível conviver com o "tu", temporário ou eternamente, se eu olho mas não vejo, se ouço mas não escuto e se as palavras não correspondem aos atos?

É até possível que o casamento seja a melhor forma de se viver feliz, em paz, porém não convencional, mas natural.

É até possível que o casamento possa se estabilizar, desde que haja encontro da Ciência, Arte e Sabedoria Antiga, e a cultura também se encontrar com a natureza humana, a fim de conscientizar novos paradigmas tendo por objeto o homem e sua relação, porque é social, depois a sua produção, o seu produto.

Não se pode impor relações, união se tudo está dividido na mente, porque o indivíduo é indivisível.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HALEY, Jay. Estratégias em Psicoterapias.
LACAN, Jacques. O Seminário.
MORENO, Jacob Levy. O Psicodrama.
RASCOVSKY, Arnaldo. O Filicídio.
VITA, Luiz Washincton. Introdução à Filosofia.
I CONGRESSO HOLÍSTICO INTERNACIONAL. Brasília, 1987.

Durval Lomba - Psicólogo Clínico - 08/0004 - Pedagogo - Pós-Graduado em Educação - MESTRE - Professor Universitário - UFPR - PUC - TUIUTI - PR.

"Casamento Convencional"
Temas da Sexualidade Humana
Editora Relisul
LEIA TAMBÉM
VOLTAR AO INÍCIO DO TEXTO
©Copyright LOMBA 2006 - Todos os direitos reservados | Site desenvolvido por MBWD